domingo, 24 de maio de 2015

Caminho de Santiago de Compostela: Livro conta emoções, alegrias e superações registradas em um iPhone



Há muitos livros sobre o Caminho de Santiago de Compostela, mas nenhum como esse! Uma Viagem em um Bloco de Notas (Editora Imprensa Livre), foi escrito pela gaúcha Tatiana Fadel Rihan em seu iPhone, enquanto ela fazia o Caminho. Por dois meses, a autora realizou a peregrinação pelo Campo das Estrelas e anotou todas as suas sensações, medos, alegrias, emoções, superações e transformações. 

Com narrativa alegre, vibrante e desafiadora, o livro, de 616 páginas, inova utilizando o recurso de QR Codes e convida o leitor a compartilhar da experiência da autora, através de fotos, vídeos, músicas etc. O Prólogo da obra é de ninguém menos do que o escritor Luiz Fernando Veríssimo.

Lançado em novembro do ano passado, Uma Viagem em um Bloco de Notas se tornou um sucesso editorial e em apenas seis meses ganhou uma segunda edição. Tatiana Fadel Rihan esteve no Rio de Janeiro em abril para o lançamento da nova edição e participou de uma sessão de autógrafos durante reunião da Associação Brasileira dos Amigos do Caminho – AACS-Brasil. Na ocasião, o Blog de Incentivo à Leitura ouviu a autora sobre uma obra.
 
Tatiana Fadel Rihan e Hélio Araújo, responsável por este Blog


Blog: Como surgiu a ideia de escrever o livro?
Tatiana: O livro aconteceu sem querer, assim como a ida ao Caminho de Santiago! Eu ouvi um chamado, literalmente, ao acordar um dia pela manhã. Ouvi uma voz que vinha de fora para dentro me dizendo: “Vá fazer o Caminho de Santiago”. Em três meses estava de mochila pronta. Um dia antes de embarcar fui conversar com a minha amiga Andrea, que entre nossos papos e assuntos, chamou-me de egoísta por não compartilhar minhas experiências e minha história de vida com as pessoas. Eu me arrepiei e caiu uma lágrima do meu olho esquerdo. Senti que talvez ali, naquele instante, a espiritualidade estivesse me dando uma dica, um sinal. Lembrei-me de quando tinha dado uma volta ao mundo, em 1988, e da vontade que tive de escrever um livro naquela época com o intuito de compartilhar aquela experiência que me parecia tão inusitada. Uma mulher sozinha dando uma volta ao mundo em um ano. Assim, nasceu Uma Viagem em um Bloco de Notas.

Na obra existe alguma mistura entre fatos e ficção? 
Não. O livro foi escrito no bloco de notas do meu iPhone simultâneo à minha peregrinação, a cada passo de muitas descobertas e magia. Todos os fatos narrados são reais, frutos do meu dia a dia no Caminho Encantado. Pode até parecer ficção, mas, acreditem, é real e foi uma experiência linda!

Você precisou compilar todos os seus registros, mas manter a subjetividade de um diário pessoal. Como foi o processo de escrita?
O livro em si é o próprio processo de escrita. Ele aconteceu assim mesmo, na forma que foi publicado. Sem edição! Os dez primeiros capítulos foram escritos dentro do avião, indo para a Espanha. Ali já começou um processo de catarse de mim mesma. Durante o Caminho eu ia experienciando e escrevendo como uma forma de descarregar as vivências, talvez até uma maneira a mais de assimilação dos processos. Tudo foi muito forte e intenso e o livro em si explica tudo isso.

Tatiana Fadel Rihan autografa sua obra
O livro traz um recurso interativo e divertido, os QR Codes. Quando você pensou em incluí-los e por quê?
Acredito que foi mais um presente da espiritualidade. Na volta do Caminho, ao comentar com um amigo que havia escrito um livro e queria publicá-lo, ele me deu a ideia de usar QR Codes. Ouvi, achei bacana, me lembrei dos vídeos despretensiosos que eu tinha e das músicas que cantava, assim como todas as fotos do dia a dia. Eu poderia recriar a minha jornada e fazer o leitor se sentir cada vez mais dentro dela. Confesso que ouvi e não tomei aquilo como certo. Até ele começar a falar usando as mesmas palavras da Andrea. Sem tirar nem por. Naquele momento eu tive certeza: o livro era uma realidade, estava escrito. Eu estava escutando realmente e aceitando aquele presente. Ele era meu. O meu presente!

De onde vem a inspiração para escrever, misturando espiritualidade, depoimentos e sentimentos?
Essa inspiração vem da alma, das experiências, da vida! Eu estava escrevendo para mim, transbordando meus pensamentos e processos internos e externos através de cada passo, mas eu não tinha muita noção de que estava realmente escrevendo um livro. Eu estava contando uma história para alguém, essa era a minha sensação. Escrevi o livro simultâneo à minha caminhada no meu Iphone, mas, na realidade, eu estava falando comigo mesma! Ao escrever, transbordei verdades e sentimentos, tive uma possibilidade maior de me enxergar usando todos os sentidos. Já ao ler compreendi, revivi, e entendi meus processos de cura. Meu livro me ajudou a voltar e também a colocar em prática tantos aprendizados. Eu sigo caminhando...

Quando você percebeu que havia recebido o chamado para fazer a peregrinação?
Eu estava um pouco distante da minha fé e comecei a rezar todas as noites pedindo intuição no sono. Um dia acordei pela manhã e ouvi uma voz que vinha de fora para dentro e ela me dizia: “Vá fazer o Caminho de Santiago de Compostela”. Assim aconteceu o chamado. A partir daí tudo era Caminho, foi incrível. Eu tinha dito um ano antes que jamais o faria. Três meses depois do chamado eu estava de mochila pronta dentro de um avião rumo ao Caminho Encantado.

O que de mais especial o Caminho de Santiago trouxe para sua vida?
Eu agradeço todos os dias. O Caminho me deu muitas coisas, eu aprendi a ouvir o silêncio e a conviver com o tempo. Aprendi a receber, me curei de dores, aprendi a ouvir meu corpo e a entender as minhas reais necessidades. Aprendi a andar leve. São tantos aprendizados. Mas acredito que o maior deles é o entendimento de quem sou, de como caminho e me relaciono com a vida, de compreender e de amar tudo isso, saber que sou humana, acerto e erro, mas sigo buscando o melhor de mim e do outro, no exercício do não julgar e, sim, de compreender!

Qual foi o maior desafio da peregrinação?
Ser um peregrino é abrir mão de muitas coisas. Cada caminho é um caminho e a jornada é de cada um! Tive muitos desafios lindos e lidar com cada um deles foi maravilhoso. Eu estava preparada fisicamente para a peregrinação de 815 km e nos primeiros 30 km não podia mais andar. Tive que lidar com muitas dores e aprender que existem muitas formas de se fazer uma peregrinação. Lidar com as dores dos meus joelhos foi um grande desafio, mas aprender a driblar a minha própria rigidez talvez tenha sido o desafio maior. Penso em voltar todos os dias!

Como é o sentimento de dividir esse processo de transformação num diário e compartilhá-lo com todo mundo?
Quando voltei e tive a certeza de realmente ter escrito um livro e da forma com que tudo ocorreu, sabia que tinha o dever de compartilhar. Eu não podia ser egoísta. Foi uma experiência forte e muito transformadora. Eu não conseguia falar sobre ela, mas talvez alguém realmente tivesse interesse em ler. Quem sabe minha experiência pudesse inspirar pessoas e até ajudá-las. Hoje sinto muita gratidão por ter acreditado neste processo todo. Tenho tido todos os tipos de mensagens de carinho e agradecimento. Estou realizada e feliz!

Como foi o processo de superação física para completar todo o caminho?
Minha intenção era realizar a peregrinação em 34 dias, mas em função dos meus problemas físicos acabei concluindo em 46, entre terapias e artimanhas. Foi doloroso, eu sofri muito. Teve muita superação neste processo. Eu sabia que precisava ir em frente. Eu vinha recebendo muito do caminho. Minhas dores foram meu maior processo de cura. Eu entrei nelas, conversei com elas, compreendi cada uma e cuidei delas. Encontrei formas diferentes de fazer o caminho, fiz uma boa parte andando de costas. Foi lindo. Minhas dores também me levaram a lugares onde sem elas talvez nunca tivesse chegado. Gratidão a cada passo!

O que mudou em você desde a publicação do livro?
O Caminho foi um instrumento de mudança, ele me abriu para um processo novo. A publicação do livro foi uma grande realização. Compartilhar minha linda jornada parecia um dever. Após a publicação o que mudou foi que consegui conversar sobre esse processo. Talvez muitas pessoas conhecidas conseguiram entender o porque do meu silêncio no retorno. Eu ainda digeria toda a experiência. O que mudou hoje? A certeza do dever de compartilhar, pois tenho recebido muito do universo e de meus leitores. Acredito sim que minha experiência de vida tem feito muita gente rir, chorar e repensar suas jornadas. Obrigada a todos pelo retorno, ao Caminho pelo chamado e a espiritualidade pela luz.  Bom Caminho!

Editora Alpendre lança “Cozinha de afeto – Histórias e receitas de doze mulheres imigrantes no Brasil”



Há mais de um século, o Brasil tem sido um porto seguro para imigrantes de todos os lugares do mundo. Na bagagem, eles trazem marcas profundas de sua cultura e da terra natal em um hábito singular: a culinária. Isso fica claro em Cozinha de afeto – Histórias e receitas de doze mulheres imigrantes no Brasil (Editora Alpendre, 2015, R$ 9,50), livro digital que resgata receitas de família carregadas de carinho e saudades.

Vindas de Angola, Alemanha, Argentina, Colômbia, Etiópia, Espanha, Índia, Itália, Irã, Japão, Grécia e Ucrânia, doze mulheres contam a história de suas vidas por meio de ingredientes e das memórias das refeições em família. Embora tenham raízes geográficas variadas e pertençam a culturas diferentes, essas imigrantes dividem uma característica comum: a paixão pelos aromas e sabores que marcaram suas vidas e a consequente dedicação em mantê-los nas suas mesas.

Hoje com idades entre 30 e 80 anos, elas chegaram ao Brasil trazidas por razões diversas, em épocas distintas. Em seus relatos, compartilham sensações de estranhamento e as boas surpresas encontradas no país que as acolheu.

Por meio da culinária, essas mulheres ajudam a escrever novos capítulos em nossa história, contribuindo na formação de um país multicultural, multirracial e com sabores inigualáveis. E dividem com os leitores de Cozinha de afeto os segredos de pratos como borscht, empanadas vallunas e guisado de cordeiro com ervas frescas. 

Criado especialmente como livro digital, Cozinha de afeto aproveita as funcionalidades do formato ao incluir links internos que facilitam a consulta e enriquecem a experiência de leitura. Está à venda nas principais livrarias, como Amazon americana (http://goo.gl/8P3z99), e brasileira (http://goo.gl/JcxLk4), Apple (https://goo.gl/SKdL66) e Kobo (https://goo.gl/Ls3ZQ6).

As autoras
Alexandra Gonsalez e Sonia Xavier são jornalistas e pesquisadoras do tema imigração. Em seu livro anterior, Mulheres sobre Rodas, contam as experiências vividas pelo Brasil em anos de trabalho como repórteres do Guia Quatro Rodas, da Editora Abril, principal volume do gênero no país.

A editora
Lançada em 2013 com foco nas publicações digitais, a editora Alpendre tem como missão editar livros de ótima qualidade na área da não-ficção, incluindo temas como turismo, gastronomia, biografias, história, vida prática, reportagens e obras de referência.

Criado por brasileiro, novo gênero literário chega a Portugal



Criação do escritor e jornalista brasileiro José Paulo Lanyi, o romance cênico Deus me disse que não existe (Clube de Autores) já está disponível em versão e-book no site da Bertrand Livreiros, rede fundada em 1732, em Portugal. "É uma honra ter um livro meu em uma livraria que foi aberta antes mesmo da deflagração da Revolução Francesa ou da proclamação da independência do Brasil", afirma. No Brasil, a obra está no catálogo da Livraria Saraiva.

Narrado pelo Príncipe das Trevas, o livro conta os bastidores de um estranho acordo: Deus e o Diabo decidem acabar com o Céu e o Inferno. O romance cênico alia o romance tradicional ao teatro. "É uma narração com estrutura mista, delineada pelos elementos formais da prosa e do texto teatral. O leitor depara com duas obras: a que começa na primeira letra e se encerra no ponto final da história: o romance; e a que se desenvolve apenas nos diálogos que compõem as cenas: o teatro", afirma o brasileiro na apresentação da obra.  "O desafio do escritor é harmonizar os dois gêneros, de forma que o enredo se sustente tanto nas mãos do leitor quanto no palco", explica.  


Lanyi espera que o livro seja conhecido pelo público e estudado por universidades de Portugal. "Afinal, foi onde tudo começou", sublinha ele. Mas destaca a importância de uma boa receptividade da obra no Brasil e em outros países lusófonos. "Não é todo dia que falamos da possibilidade do nascimento de um gênero literário, e em língua portuguesa, o que deixa tudo mais interessante. Vamos ver o que vai resultar da sua leitura e dos eventuais estudos que possam ser feitos."  

Carreira
Escritor, jornalista, produtor, crítico, roteirista e dramaturgo, José Paulo Lanyi é autor de vários livros, entre romances, volumes de crítica e textos teatrais e para televisão. Ele publicou, pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, sua peça “Quando Dorme o Vilarejo”, reconhecida em 2002 com o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, concedida pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo. O texto foi encenado com o apoio da ONU no Teatro São Bento, em São Paulo, em 10 de dezembro de 2008, data em que se comemoraram os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Lanyi se graduou em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero (SP), em 1993. Foi repórter de algumas das principais emissoras de rádio e televisão de São Paulo, entre elas, TV Bandeirantes, TV Manchete , CBN, Rádio Globo, Radiobrás e CNT. Na TV Globo-SP, coordenou a produção da rede no "Jornal Hoje" e produziu o "SP-TV-1a Edição", além do "Jornal Nacional" e do "Bom Dia Brasil". 

Autor carioca estreia com obra de ficção sobre a vida e a morte



O autor carioca Ricardo Oscar tenta transmitir um pouco da sua interpretação sobre o assunto de vida e morte, baseado em mais de vinte anos de estudos relacionados ao tema, com a publicação do romance Buscando a Morte Encontrei a Vida (selo Talentos da Literatura Brasileira | Novo Século Editora). O livro é uma oportunidade de desenvolvimento pessoal, abordando questões como: Quais são as mensagens por traz de cada infortúnio? O que a vida tenta nos mostrar através de situações tão terríveis?
 
Essas são apenas algumas das questões levantadas por Wagner Sander, um homem bem-sucedido e realizado, que, no início da década de 1980, vive um momento de completa dor e desespero após o falecimento de seu filho de apenas oito anos. Essa marcante fase o faz se envolver em um grande conflito pessoal e familiar, levando-o a uma busca incessante para suas respostas mais íntimas. Motivado a tirar a própria vida, ele acaba embarcando em uma viagem espiritual no mínimo insólita, trazendo à tona muitas verdades inesperadas.

Título: Buscando a morte encontrei a vida
Autor: Ricardo Oscar
Categoria: Ficção
Nº de Páginas: 136
Formato: 14x21
Preço: R$ 24,90

Flip 2015 divulga lista de selecionados para Oficina de Design de Livros



Realizada em parceria com a Fundação Holandesa das Letras (Nederlands Letterenfonds), oficina estabelecerá diálogo entre Brasil e Holanda e trabalhará o livro enquanto objeto artístico

A tradicional Oficina Literária da Flip, que faz parte da programação oficial da Festa Literária Internacional de Paraty, e que dará lugar, em 2015, a uma oficina de design de livros, com a designer holandesa Irma Boom, um dos principais nomes do mercado editorial internacional, e a brasileira Elaine Ramos, diretora de arte da Cosac Naify, recebeu, neste mês, mais de 80 inscrições.
 
Esta edição do Decamerão voltada a leitores jovens ou adultos põe as ilustrações de Alex Cerveny e a tipografia moderna em diálogo com edições do século 14, anteriores à invenção da imprensa por Gutenberg. O livro reproduz páginas de manuscritos iluminados por Boccaccio, que além de escritor foi copista.


Os 20 selecionados participarão, de 2 a 4 de julho, durante a Flip, de uma oficina que promoverá o diálogo entre a recente tradição gráfica brasileira e os quatro séculos de cultura impressa holandesa e abordará o livro enquanto objeto artístico em seus aspectos industriais e artesanais.

Ao final da oficina, cada aluno deverá produzir artesanalmente um pequeno livro tendo como base textos de Mário de Andrade (1893-1945), autor homenageado da Flip 2015, que acontece de 1º a 5 de julho, em Paraty.

Confira os nomes dos selecionados:
Alice Viggiani
Ana Karina Freitas
Ana Lobo
André Lima
Clarice Lacerda
Cleber Rafael de Campos
Eduardo Rennó
Flavia Castanheira
Gabriela Castro
Hannah Uesugi
Henrique Milen
Julia Masagão
Juliana Ribeiro Azevedo
Luciana Orvat
Luiz Arbex
Martina Brant
Milena Zulzke Galli
Paulo Andre Chagas
Pedro Lima
Ricardo Portilho

IRMA BOOM
Expoente do design gráfico holandês, Irma Boom, nascida na cidade de Lochem, em 1960, é conhecida pela ousadia de seus projetos, que testam os limites e dimensões do livro impresso na era do livro eletrônico e muitas vezes se apresentam como verdadeiros manifestos gráficos. Com trabalhos em diferentes áreas, de selos postais a painéis urbanísticos, foi no livro que Irma Boom ganhou renome mundial.

Dezenas de suas obras integram importantes acervos internacionais, como o do Museum of Modern Art (MoMA) de Nova York, e o do Centre Pompidou, em Paris. Trabalhou longamente em parceria com o arquiteto holandês Rem Koolhaas. Foi a designer mais jovem a receber o prêmio Gutenberg. Publicou uma coletânea do seu trabalho em Irma Book: The Architecture of the Book (2013). Em 2014, recebeu o Prêmio Johannes Vermeer de Artes, um dos mais importantes de seu país.

ELAINE RAMOS
Destaque do design de livros no Brasil, Elaine Ramos (São Paulo, 1974) é diretora de arte da editora Cosac Naify e integra a Alliance Graphique Internationale (AGI). Seus trabalhos vão de edições experimentais – como O livro amarelo do terminal, de Vanessa Barbara, um dos 50 livros do ano de 2008 pela associação de designers AIGA, nos EUA – à supervisão de toda a linguagem visual da editora, na qual também é responsável pelas publicações sobre design. É autora, com Chico Homem de Melo, da Linha do tempo do design gráfico no Brasil (Cosac Naify, 2014).

Sheila Hicks: Weaving as a Metaphor, feito para a designer têxtil americana Sheila Hicks, é tido como um “livro-manifesto”. A tecelagem é evocada nas texturas, no corpo do texto que “encolhe” pouco a pouco e nos cortes laterais, feitos com uma serra circular que deixa as páginas esfiapadas como retalhos. Foi eleito o “Livro Mais Bonito do Mundo” na Feira de Leipzig
 
Flip 2015
A 13ª edição da Flip, que acontece de 1º a 5 de julho, terá Mário de Andrade como autor homenageado. Poeta, romancista, crítico musical, gestor público, folclorista, agitador cultural, Mário formulou questões centrais a vida cultural e a literatura brasileira. Entre suas muitas contribuições está a criação de uma política de preservação do patrimônio histórico e cultural, por meio da criação do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), que viria a ser o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) – iniciativa que permitiu a preservação do Centro Histórico de Paraty, por exemplo.

Quem faz a Flip
A Casa Azul é uma organização da sociedade civil de interesse público, que desenvolve projetos nas áreas de arquitetura, urbanismo, educação e cultura. Desde as primeiras ações, mantém uma intensa relação com a cidade de Paraty. A Flip, os projetos educativos permanentes – Flipinha, FlipZona e Biblioteca Casa Azul – e o Museu do Território são algumas de suas experiências que potencializam importantes transformações no território e promovem o aprimoramento da qualidade de vida dos cidadãos, os valores culturais e a conservação do patrimônio material ou imaterial.

Parceria
A Oficina de Design de Livros conta com a parceria da Fundação Holandesa das Letras (Nederlands Letterenfonds) e apoio da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), da Apple e da International Paper.
A programação da Flip conta com o patrocínio oficial do BNDES, Itaú, Petrobras e outros parceiros em vias de confirmação.


Revista dedicada ao Papa Francisco é lançada no Brasil pela Panini



Conhecida por produzir e comercializar álbuns de figurinhas, como o da Copa do Mundo de 2014, a Panini apresentou ao mercado a sua revista mensal com o “santo padre” de destaque. Trata-se da publicação O Meu Papa, disponível em bancas do país e na internet desde o dia 6 de maio.



Comercializado a R$ 4,90 o exemplar, o novo impresso é a versão nacional do título que já circula em 13 países, tendo como pauta divulgar as ações realizadas pelo Papa Francisco. Atualmente, o veículo de comunicação está presente na Alemanha, Áustria, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Itália, Lichtenstein, Nicarágua, Panamá, Polônia, República Dominicana e Suíça.

A primeira edição brasileira da revista dedicada exclusivamente ao pontífice é dividida em 64 páginas e apresenta, em reportagem de capa, a preocupação de Francisco para com as pessoas que de alguma forma convivem com o sofrimento. No estilo, a editora garante que a revista é feita com textos simples e de fácil leitura, com amplo espaço a imagens.

“O lançamento da revista O Meu Papa no Brasil nos gera grande satisfação. A editora, que já está presente no lar dos brasileiros por meio de produtos voltados à família que atingem crianças, jovens e adultos lança agora este título inovador sobre a vida do papa Francisco no Vaticano”, disse o diretor-presidente da Panini Brasil, José Eduardo Severo Martins.

O executivo ainda afirmou que a novidade demonstra a importância que a empresa dispensa aos mais variados assuntos. “Com esta publicação, a Panini reforça seu posicionamento de estar sintonizada com os principais lançamentos mundiais e sua preocupação com investimentos em produtos que reforçam valores humanos universais”.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Mário de Andrade inspira diálogo entre as artes na Flip 2015

Programação principal da 13a edição da festa internacional celebra a presença do escritor paulista na cultura brasileira e leva debates literários, políticos, culturais e comportamentais a Paraty

O diálogo entre as artes é a tônica da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty – desde a sua primeira edição. Ao homenagear Mário de Andrade (1893-1945) nos 70 anos de sua morte, esse diálogo torna-se ainda mais intenso e pertinente e se espalha pela programação principal.

A Associação Casa Azul, que realiza a Flip, desenvolve projetos educativos, urbanísticos e arquitetônicos em Paraty ao longo do ano inteiro. O trabalho culmina nos cinco dias da programação principal, que acontece na Tenda dos Autores. A Flip 2015 vai acontecer em Paraty, entre 1 e 5 de julho.

Em 23 mesas, os 39 autores e autoras convidados para a 13a. edição da Flip discutirão literatura, cultura, sociedade e a presença de Mário de Andrade no Brasil de hoje. Entre os principais temas em debate estão a prosa, a poesia, crítica cultural, questões literárias, sexo e erotismo na literatura, ciência, representações literárias da família e da vida afetiva, romance policial, questões de política internacional, literatura de viagem, música, arquitetura, políticas culturais e os rumos da sociedade brasileira. O curador da Flip 2015 é o editor Paulo Werneck, responsável também pela curadoria de 2014.

PROGRAMAÇÃO PRINCIPAL

QUARTA, 1º de julho
19h - Sessão de abertura
AS MARGENS DE MÁRIO
Beatriz Sarlo, Eliane Robert Moraes e Eduardo Jardim
Buenos Aires, Rio de Janeiro e o erotismo fornecem pontos de vista originais para compreender Mário hoje.

QUINTA, 2 de julho
10h - Mesa 1
A CIDADE E O TERRITÓRIO
Antonio Risério e Eucanaã Ferraz
A cidade, o patrimônio cultural e a noção de território – marcadas pelo pensamento de Mário de Andrade – são os eixos da mesa de arquitetura da Flip, com dois ensaístas que põem em diálogo a arquitetura e a literatura brasileira.

12h - Mesa Zé Kleber
FALANDO ALEMÃO

Geovani Martins, Deocleciano Moura Faião e Katjusch Hœ
As oficinas de poesia, fotografia e edição promovidas no Rio pelo Laboratório Setor X no Complexo do Alemão, na Rocinha e na Biblioteca Parque de Manguinhos revelaram artistas brasileiros onde menos apostamos na arte. Três deles se apresentam na mesa Zé Kleber, voltada às questões da vida em comunidade em Paraty (e em todo o Brasil), que homenageia o poeta, ativista, ator e agitador cultural paratiense Zé Kleber (1932-1989).

15h - Mesa 2
DE MICRÓBIOS E SOLDADOS
Diego Vecchio e 
Saša Stanišić
Dois destaques da ficção contemporânea levam a Paraty seus romances recém-lançados: o argentino Diego Vecchio, com sua bem-humorada mania de doenças, e o bósnio 
Saša Stanišić, que tematiza a guerra e as relações entre memória, história e literatura.

17h15 - Mesa 3
A POESIA EM 2015
Matilde Campilho e Mariano Marovatto
O oceano Atlântico não é propriamente um problema para a nova geração de poetas que, entre lá e cá, aponta as novas rotas da lírica de língua portuguesa.

19h30 - Mesa 4
ENCONTRO COM COLM TÓIBÍN
O irlandês Colm Tóibín, que participou da Flip em 2004, volta a Paraty para um memorável encontro com o público.

21h30 – Mesa 5
DO ANGU AO KAOS
O músico tropicalista de “Maracatu atômico” e “Lágrimas negras” é também o autor de uma obra literária original, regida pelas forças do Kaos – neologismo que dá nome a seu inspirado romance de 1964. Em Paraty, Mautner vai se encontrar com o premiado escritor Marcelino Freire, de Angu de sangue Nossos ossos, que volta à Tenda dos Autores após onze anos.

SEXTA, 3 de julho
10h - Mesa 6
ENCONTRO COM BORIS FAUSTO
As representações literárias dos afetos familiares, do luto e da vida amorosa estão entre os principais eixos de discussão da Flip 2015. Historiador consagrado, Boris Fausto vai a Paraty para falar sobre o comovente (e também autoirônico) diário em que registrou a dor pela morte de sua companheira de vida inteira, em 2010.

12h - Mesa 7
SÃO PAULO! COMOÇÃO DE MINHA VIDA...
Roberto Pompeu de Toledo e Carlos Augusto Calil
A São Paulo de Mário é evocada na mesa que reúne Roberto Pompeu de Toledo, “biógrafo” da cidade de São Paulo, e Carlos Augusto Calil, que lança na Flip um volume sobre a gestão de Mário de Andrade no Departamento de Cultura da cidade, experiência pioneira e de notável atualidade.

15h - Mesa 8
AS ILUSÕES DA MENTE
Eduardo Giannetti e Sidarta Ribeiro
O economista Eduardo Giannetti, na Flip pela primeira vez, conversa com o neurocientista Sidarta Ribeiro sobre cérebro, mente, as poucas certezas e as muitas ilusões da alma.

17h15 - Mesa 9
ESCREVER AO SUL

Ngũgĩ wa Thiong’o
 e Richard Flanagan
Colonialismo e neocolonialismo, identidade nacional, civilização e barbárie, construção da língua literária, cultura da memória – eis alguns dos muitos pontos em comum entre as jovens e diversas literaturas do Hemisfério Sul. Expoente da literatura africana, o queniano 
Ngũgĩ wa Thiong'o se encontra em Paraty com o romancista australiano Richard Flanagan, ganhador do Booker Prize em 2014.

19h30 - Mesa 10
AMAR, VERBO TRANSITIVO
Ana Luisa Escorel e Ayelet Waldman
A americano-israelense Ayelet Waldman e a paulistana Ana Luisa Escorel contam como transformam os legados familiares e as delicadas relações entre pais e filhos em rica matéria-prima literária.

21h30 - Mesa 11
OS IMORAES
Eliane Robert Moraes e Reinaldo Moraes
Não é de hoje que o encontro do sexo com a boa literatura produz páginas memoráveis no Brasil. O romancista Reinaldo Moraes e a crítica literária Eliane Robert Moraes conversam sobre literatura erótica e pornográfica, excessos da imaginação, taras sexuais e literárias, autores malditos e libertinagens em geral.

SÁBADO, 4 de julho
10h - Mesa 12
TURISTAS APRENDIZES
Beatriz Sarlo e Alexandra Lucas Coelho
O turista aprendiz
, publicado postumamente em 1976, é talvez o livro de Mário de Andrade que mais fala ao grande público nos dias de hoje, por sua leveza e pelas múltiplas portas de entrada que a literatura de viagem oferece. Duas renovadoras do gênero, a crítica literária argentina Beatriz Sarlo e a escritora portuguesa Alexandra Lucas Coelho, abrem em Paraty as páginas de seus diários de viagem.

12h - Mesa 13
ENCONTRO COM DAVID HARE
O teatro britânico está entre os pontos altos da ficção de nossos dias. Depois de ter apresentado Tom Stoppard ao público brasileiro em 2008, a Flip traz a Paraty David Hare, influente dramaturgo e comentarista político que desde 1968 escrutina em suas peças os destinos políticos da sociedade britânica.

15h - Mesa 14
DE BALÕES E BLASFÊMIAS
Riad Sattouf e Rafa Campos
O cartunista franco-argelino Riad Sattouf, que focaliza as batalhas culturais entre franceses e árabes, ex-colaborador do jornal parisiense Charlie Hebdo, vai debater em Paraty como as batalhas culturais que se travam nas páginas dos quadrinhos. A seu lado, estará o cartunista Rafa Campos, criador da personagem Deus, Essa Gostosa.

17h15 - Mesa 15
OS HOMENS QUE CALCULAVAM
Artur Ávila e Edward Frenkel
A Flip recebe Artur Ávila, o primeiro brasileiro a receber a cobiçada medalha Fields, mais alta premiação da matemática, em 2014. Ávila e o matemático russo-americano Edward Frenkel se reúnem em Paraty para uma conversa divertida sobre vida de cientista e intimidade com os números – com todos os problemas, alegrias e espantos que eles carregam.

19h30 - Mesa 16
ENCONTRO COM ROBERTO SAVIANO
O jornalista italiano Roberto Saviano fala do seu trabalho jornalístico sobre a máfia e o narcotráfico, que lhe valeu ameaças de morte e o obrigou a viver em esconderijos nos últimos anos.

21h30 - Mesa 17
DESPERDIÇANDO VERSO

Arnaldo Antunes e Karina Buhr
Arnaldo Antunes leva a Paraty a sua sólida obra poética, filha da poesia concreta com o rock’n’roll. A seu lado estará a cantora, compositora e poeta estreante Karina Buhr.

DOMINGO, 5 de julho
10h - Mesa 18
MÚSICA, DOCE MÚSICA
José Ramos Tinhorão e Hermínio Bello de Carvalho
É preciso reconhecer que o nosso olhar sobre a música brasileira não seria o mesmo sem Mário de Andrade. Dois pesquisadores musicais que de certa forma desdobraram as ideias e as pesquisas de Mário sobre as nossas tradições musicais se reúnem nesta mesa histórica para divergir, debater, questionar, discordar e discutir de onde veio e para onde foi a música brasileira.

12h - Mesa 19
DE FRENTE PARA O CRIME
Leonardo Padura e Sophie Hannah
O romance de detetive conquista leitores de todos os perfis e permanece central na literatura contemporânea. O cubano Leonardo Padura, com suas tramas ambientadas na história política do século 20, e a britânica Sophie Hannah, escolhida para dar seguimento à série de Hercule Poirot, célebre detetive criado por Agatha Christie (1890-1976), renovam um gênero popular, de grande força inventiva.

14h - Mesa 20
CONFERÊNCIA DE ENCERRAMENTO
José Miguel Wisnik
Um retrato de corpo inteiro do homenageado da Flip 2015, por um de seus grandes leitores.

16h - Mesa 21
LIVRO DE CABECEIRA
Autores convidados da Flip 2015 leem trechos de seus livros prediletos.


Oficina de Design de Livros
Além das mesas literárias, a tradicional Oficina Literária da Flip, que faz parte da programação oficial da Festa Literária Internacional de Paraty, dará lugar, em 2015, a uma oficina de design de livros com a designer holandesa Irma Boom e a brasileira Elaine Ramos. A Oficina de Design de Livros é realizada em parceria com a Fundação Holandesa das Letras (Nederlands Letterenfonds), e tem com objetivo promover o diálogo entre a nossa jovem tradição gráfica e a excepcional cultura impressa holandesa.

Quem faz a Flip
A Casa Azul é uma organização da sociedade civil de interesse público, que desenvolve projetos nas áreas de arquitetura, urbanismo, educação e cultura. Desde as primeiras ações, mantém uma intensa relação com a cidade de Paraty. A Flip, os projetos educativos permanentes – Flipinha, FlipZona e Biblioteca Casa Azul – e o Museu do Território são algumas de suas experiências que potencializam importantes transformações no território e promovem o aprimoramento da qualidade de vida dos cidadãos, os valores culturais e a conservação do patrimônio material ou imaterial.


Patrocínio
A programação da Flip conta com o patrocínio oficial do BNDES e Itaú, patrocínio da Petrobras e outros parceiros ainda em vias de confirmação.